domingo, 22 de agosto de 2010

A mulher é o mordomo!

Por quê? - ainda haverá quem me pergunte...
Mas vamos lá, esclarecimentos são necessários. Para tanto, façamos um retrospecto: Eliza Samudio, Iris Bezerra, Sandra Gomide, Maria Islaine do Amaral, Mércia Nakashima, dentre muitas outras que eu poderia citar.
Eu poderia citar caso a caso, mas basta que se dê um google nos nomes para poder recordá-los. O problema não é bem esse, mas o pensamento que a maioria das pessoas têm. Vejam, já ouvi coisas do tipo "essa garota teve o que mereceu" (sobre Eliza Samudio), "é o que dá querer subir na vida sendo amante do chefe" (sobre Sandra Gomide), "como é que essa garota se envolveu com esse cara?" (sobre Mércia Nakashima)...
Já ouviram coisas mais machistas? E tem mais, sexta, no curso de Atendimento ao Cliente, estávamos conversando sobre diferenças linguísticas entre as regiões. um colega citou "Por exemplo, no Nordeste, arretado significa uma pessoa batalhadora, que corre atrás; no Norte, é uma mulher enxerida, fácil...". Para tudo! Quer dizer que arretado no bom sentido é uma pessoa, mas arretado no mau sentido é uma mulher? Fala sério!
Sempre será culpa da mulher. Daí o título... Somos os mordomos de hoje em dia! É assim que ele educa os filhos?
Sempre fui uma pessoa risonha, comunicativa, paciente, boa ouvinte, dentre várias outras qualidades (bem como defeitos, claro). Uma vez, num churrasco de amigos, um dos presentes veio dar em cima de mim, após algumas conversas sobre futebol e cerveja (sobre mulher eu não poderia falar muita coisa, né?), fui falar ao meu namorado à época e ele me veio com essa "também, você ficou dando trela...". Espera um pouco... Só porque eu falei com ele? Só por conversar e sorrir, isso significa que eu estou dando trela a alguém? Fala sério! Se eu estiver a fim de você eu falo com todas as letras, não preciso de subterfúgios. Eu e a OI: simples assim!
E não adianta que essas mulheres os tirem de suas vidas, eles se acham donos, como se fossem objetos das vidas vazias desses porcos machistas. Foi exatamente o que fizeram Maria Islaine e Íris Bezerra... E o que lhes sucedeu? Foram assassinadas.
E eu me exacerbo ainda mais com a forma como está sendo tratado o caso de Sakineh Ashtiani, como bem escrito por Zuenir Ventura em sua coluna de quarta passada "espera-se que Lula insista com firmeza junto a Ahmadinejad, que rejeitou a oferta de asilo, alegando não haver necessidade de 'criar mais confusão para o presidente Lula', que, por sua vez, já justificara o oferecimento dizendo que queria livrar o colega de um 'incômodo'. O que um chama de 'confusão' e o outro de 'incômodo' é uma mulher de 43 anos que está no corredor da morte aguardando execução. (...) ela (Sakineh) que, em 2006, já recebera 90 chibatadas por 'relação ilícita' com o presumível assassino de seu marido (depois, o juiz reabriu o processo e, mesmo sem testemunhas, concluiu que o relacionamento ocorrera ainda em vida do assassinado, o que constituía adultério, passível de apedrejamento)."
E não me venham com informes sobre o respeito à cultura de cada povo. O mundo evolui, sempre! Já não somos mais antropófagos, nem dizimamos tribos indígenas pelo simples fato de serem diferentes, nossas punições seguem os Direitos Humanos e nem mesmo as palmadas em crianças (justificadas anteriormente como para educação dos pequenos) são mais aceitas. Por que não podemos tratar as mulheres como parte da humanidade também? (essas situações me remetem a uma cena surreal escrita pelo Josias de Souza no blog dele vinculado ao uol: um macaquinho desce da árvore olha nos olhos de um homem e pergunta "Valeu a pena?")
E você, o que faz para mudar isso? O que faz para evitar o resquício machista nessa sociedade hipócrita em que vivemos?

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