terça-feira, 10 de agosto de 2010

Até que ponto você ignora quem você é?


Desculpem-me aqueles de plantão que ainda não sabem o que querem ser quando crescer - e não importa a idade que tenham! Eu sei muito bem o que eu quero, o que me agrada, o que me dá prazer, o que eu respeito.

Por que essa pergunta aí em cima? Deixa eu contar uma historinha: hoje tivemos curso pela empresa e, para separar os grupos, entregaram papeis com músicas e nomes de cantores. Até aí tudo bem, aceito o fato de ninguém ter lembrado de colocar Marisa Monte, Maria Bethânia, Noel Rosa, Cartola e por aí vai... Mas, para ganhar um pontinho na "brincadeira", era necessário dançar uma música do cantor ou a música que era o nome do seu grupo.

Sinceramente, eu sou obrigada a dançar Rebolation? Claro que não! Mas nem por dez pontos, nem pelo prêmio principal, quanto menos por um salário maior! Não me levem a mal... Adoro dançar! Mas tem que ter clima, tem que ter lugar, a música tem que ter receptividade no meu coração... Entende?

Não dancei, claro que não! Pedi desculpas ao meu grupo, mas mesmo assim o pessoal me pedindo: "vamos, a gente só bate palmas, levanta as mãos...". Para quê, gente, eu me pergunto? E eu dizendo não e as pessoas quase que forçando. Até que, finalmente!, um dos instrutores percebeu que eu estava desconfortável (para ser sincera, senti-me constrangida MESMO!) e, levando-me de volta à cadeira, disse-me que eu não era obrigada!

Claro que não sou! Sei os meus limites e até onde me podem exigir alguma coisa... E o meu NÃO é NÃO! Puxa vida! Respeito os limites de todos... Se não gostam de certas brincadeiras, não as faço; se não gostam de certas conversas, não as inicio nem dou continuidade; se não gostam de certas músicas, evito-as... Qual a dificuldade de entender que eu também tenho os meus gostos e vontades? Eu deixar de participar iria ofender alguém? Tenho certeza de que não! Absoluta!

Quer que eu participe de algo? Faça-me uma pergunta que exija conhecimento em certas áreas (e são bem diversificadas: política, economia, religião, futebol, opinião...) e eu respondo em quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês! Pronto! Peça-me para citar alguns versos e eu te perguntarei qual? Drummond, Bandeira, Pessoa, Neruda, Barrett Browning, dentre muitos outros! Peça-me para explicar alguns itens do IRRF, da Teoria da Relatividade, da diferença entre o Barroco e o Parnasiano e eu te citarei sem o menor problema! Mas não me peça para rebolar até o chão, num curso de Segurança da Informação e acreditar que eu vou considerar como a coisa mais natural do mundo (por mais que a intenção seja de descontrair, o máximo que você vai fazer comigo é me deixar constrangida e chateada!).

Daí alguns vão perguntar: mas você nem dançou, por que se sentiu constrangida? Você faz ideia de quantas vezes eu tive de explicar, na hora do intervalo, que eu sei do que gosto e dos meus limites e espero que os respeitem? Então... Até isso eu tive de fazer: explicar por que não participei desta "atividade"...

E eu ainda tenho, faça-me o favor, de explicar o porquê de eu não ter dançado uma música que aqueles que me conhecem sabem que não tem absolutamente nada a ver comigo? Em meio a pessoas com as quais passo um enorme tempo de minha vida (1/3 de meus dias, para ser mais exata), mas de quem não conheço absolutamente nada? Em frente a pessoas que estavam filmando aquelas particularidades e que, certamente, não terão a hombridade de apagar, mas sim mostrarão a todos aqueles que não estavam ali participando?

Qual a dificuldade de lidar com o não? De aceitar que nem todos gostam de morango? De perceber que alguns ainda consideram a fidelidade e a honestidade valores imprescindíveis a qualquer relacionamento (e não me refiro apenas a relacionamentos amorosos, mas a relacionamentos profissionais, de amizade, até entre vizinhos e desconhecidos...).

Não gosto de praia, mas respeito até aqueles que passam horas embaixo do sol "pegando uma corzinha"... Não sou muito fã de filmes comerciais, mas respeito aqueles que adoram ver Sylvester Stallone mesmo depois das barbáries que ele falou a respeito do Brasil (e que só veio a público pedir desculpas depois da campanha "Cala a boca Stallone!" no Twitter)...

Não gosto de blusa apertada, de salto altérrimos e finíssimos, de minissaias curtíssimas, de shorts e calças tão apertados que você não consegue entender como a pessoa consegue respirar; mas entendo e respeito quem gosta e usa... Não gosto de funks, axés, forrós; mas respeito quem considera uma expressão cultural...

Sendo assim, qual a dificuldade em respeitar que eu gosto de praia só em noites enluaradas; que adoro uma exposição do CCBB, da Caixa Cultural, do Centro Cultural Correios; que curto filmes franceses, alemães e ingleses; que curto sair num domingo a passear pelo Centro, pela Tijuca, pelo Cosme Velho, pelas Laranjeiras, apenas para tirar fotos e admirar as paisagens lindas e serenas em sua solidão; que adoro uma calça e uma blusa que me deixem respirar, uma saia que eu não precise de ficar repuxando, um tênis e uma sandália confortáveis; que me sinto à vontade ouvindo Nando Reis, Zélia Duncan, Ana Carolina, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Moska e outros ícones da MPB?

Agradeçamos todos os dias às diferenças. São elas que fazem essa diversidade maravilhosa que encontramos diariamente estampadas nos rostos que nos rodeiam, nas arquiteturas de nossas cidades, nos diversos aspectos culturais que compõem esse enorme Brasil e, de forma mais abrangente, o mundo...

É muito fácil falarmos sobre os brasileiros não terem preconceitos; entretanto, diariamente focamos nossas atenções às diferenças existentes de tal forma que não há outra nomenclatura que possamos utilizar para o caso...

E você? Até que ponto, para deixar os outros satisfeitos, esquece, nega ou ignora quem REALMENTE você é?

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Desculpe-me a demora em voltar a escrever, mas foram tantos acontecimentos, tantos corre-corres, tantas dificuldades, tantos desencontros, que somente hoje, com o absurdo desse ocorrido, encontrei um momento de sentar no sofá e digitar (de bate-pronto!) este texto!

Um grande abraço (como diria o grande Artur Xexéo) aos meus 3 leitores (eu, minha irmã e meu filhote... rs
)!

2 comentários:

  1. Huahuahuauhahuahuhuauhauhahua
    Caaaaaaaaaaaaastigo!
    Porque você ficou me zoando com a festa do Dia das Mães...
    Éeeeeeeeeee! Encontrava-me eu, satisfeita, na escola da minha filha, quando vi, indignada, que a surpresa preparada para as mães, era um festival de baixaria, ops, axé.
    Isso! Agora estava você, coagida a dançar Rebolation (imagino a cena e me espoco de rir...huauhauhahau).
    Quem manda ser elegante?!
    Quando me mandaram dançar, eu simplesmente sorri e respondi "no dia que eu dançar isso, vou pra Light trabalhar à noite"
    huauhauhauhahuaua

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  2. E quem disse que eu dancei, sua égua? Tá fods que eu iria dançar aquilo... Mais fácil seria eu perguntar quem do RH deveria procurar para pedir a conta! Como diria Aécio Neves: "O que não me falta é coragem!"

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